sexta-feira, 11 de abril de 2008

Youtube and MySpace

Victoria Lindsay, 16 anos, Lakeland, Florida.

Foi na quarta-feira que vi o vídeo na RTP e tenho acompanhado as notícias. Mas não consigo voltar a ver as imagens. Há um grau de brutalidade que me parece inconcebível. Podia tecer comentários emotivos e moralistas, mas acho que nem vou por aí.

De repente lembrei-me da Micas e tive medo.
Que vida para Victoria Lindsay, depois disto?

Chama-se Emília

Ontem consegui tirar a Emília de casa. Fomos passear um pouco, fazer umas compras e lanchar. Ela não queria, mas insisti.

A Emília vê novelas praticamente o dia inteiro. Acho que só não as segue de manhã. Mas, depois do almoço, tem a televisão sempre ligada. Vai passando a ferro, cuidando das coisas, mas sempre mais atenta às histórias.

Então, Emília, também há vida fora da televisão, vamos sair, vamos. Eu sei que há vida, mas não é assim, como na televisão. Aqui, nunca sei quem são os maus ou quem são os bons, que tudo se esconde, prefiro as novelas que me contam tudo.
Mas eu sei qual é a principal razão do seu gosto, porque já vi a Emília chorar com os beijos, com os amores e as ternuras dos seus favoritos. É como se aquele “amo-te” fosse para ela, como se aquele abraço lhe envolvesse o corpo, como se aqueles dramas, aquelas heroicidades, fossem dela também.

Diríamos que a Emília não tem vida e toma para ela as vidas das novelas. Mas eu já não sei.

terça-feira, 8 de abril de 2008

A renúncia é impossível porque a esperança é sagrada

Foi no Origem das Espécies que tomei conhecimento da polémica com o José Eduardo Agualusa, por causa do (des)mérito literário de Agostinho Neto. E daí segui-lhe o rasto, por outros blogues e documentos.

Não me apetecia nada voltar à Sagrada Esperança e à Renúncia Impossível, textos de fundação da literatura angolana, maus alguns, muito melhores outros. Mas o problema não está aí, na sua efectiva qualidade literária ou na falta dela, nem sequer na sua afirmação ou negação por quem quer que seja, como é óbvio.

A falta de bom senso pode ser muito perigosa, além do terrível efeito pouco estético do ridículo.

Crónicas do mosteiro

Levantei-me ainda com os olhos fechados e o espírito adormecido. Segui pelo claustro. A noite nunca é completamente noite, mas não foi o branco dos lírios que me acordou de vez; foi o cheiro do jasmim, intenso, subindo pelas colunas, que me encheu o peito. Vesti a cogula e entrei no coro.
No silêncio das sombras, as velas eram cânticos acesos. Ajoelhei, recolhida nesta emoção que me atinge todos os dias. Deixarei o mosteiro no dia em que não sentir este nó na garganta ou este calor que transborda nos olhos molhados.
Levantei-me para entoar o ofício da noite e afastei o véu que discretamente me escondia, agora serena, tranquila.

Nós somos criativos!

- leste o conto?
- li.
- fizeste anotações? dá cá, deixa-me ver.
- não está inteiro, falta-lhe a protagonista.
- falta-lhe o quê???
- matei-a, era chata, faz outra... e limpa essas manchas.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Matthew McConaughey

Para além da idade, temos outras afinidades. Deixem-lhe crescer um pouco mais a barba, ponham-lhe um mico dourado no ombro direito... e... olá, Santiago, que bom ver-te!

Cape Cod



Preparando viagens e sonhando: Thousand Islands. Ou lembrando as férias no Cape Cod, ali no canto, Falmouth. Ou como eu era miúda e tola. Tenho um diário arrumado algures. Não posso tê-lo perdido...

http://www.letrasemlisboa.blogspot.com/

Curioso. Muito curioso. Por acaso, mesmo por acaso, estive no encontro de há dois anos, em Ouro Preto. Enquanto arrastava a minha Carlota Joaquina ladeira acima, ladeira abaixo.

Carlotinha, lembras-te dos últimos 15m na recepção do hotel? O momento já tem nome, revisitado, "A paixão mora ao lado".

Fragilidades

Foi daquelas coincidências em que reparamos e a que tentamos dar sentido: no mesmo dia, em conversa, no livro que agora me ocupa, numa série da televisão, se afirmou que o amor era frágil.

Demasiado frágil. Tão frágil que não entendo como tomamos opções tendo a sua fragilidade como fundamento. Nunca o amor me serviu para coisa nenhuma ou de préstimo que fosse.

Por si mesmo, o amor vale muito pouco. Mas torna-se grandioso e fonte de imensa felicidade em circunstâncias determinadas. No sábado à noite, por exemplo. Não queria estar em mais lado nenhum. Um amor tranquilo, aquele, feito de certezas, sorrisos e cumplicidade. Um projecto onde vidas distintas se encontram e se reconhecem, em plena igualdade, transparentes.
Antes que chovesse, apanhei uma braçada de lilases. Agora tenho a primavera dentro de casa.



O mundo da minha janela


quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dias de sol e de memória


Faz três anos que faleceu João Paulo II. Dia de memória.

A Nikita faz um ano de vida. Dia de sol.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Leve, leve, que a noite vai adiantada...


E eu quero ter sonhos de borboleta.

Crónicas do mosteiro

Está frio. Sentei-me nos degraus do claustro junto da fonte. Rezámos a sexta antes da refeição, ainda há pouco tempo. Na sala do capítulo a respiração prende-se, parece que gela ao sair da garganta, e na igreja os salmos e os hinos não passam da grade, tobando pelo chão empedrado. Demorei o olhar na Virgem e no Menino, mas emoreci na oração e no alento.
Gostava que hoje fosse dia de fornada de queijinhos d'ouro para a condessa, que os encomenda às dúzias. Pelo menos haveria forno aceso. Tenho pouco tempo para estar aqui sentada ao sol branco do início de março. Fecho os olhos, prendo o hábito debaixo de mim e recebo o calor na cara, nas mãos, nos pés. Aqueço devagar, mas aqueço ainda assim.
O corpo descontrai, encosta-se mais ao muro, parece mais pesado. Lassidão. O mosteiro preenche toda a alma e quase todo o corpo. Nesta luz quente do sol vislumbro a parte que desconheço.

Notas de viagem

You like to fly?
Oh, yes, I do... principalmente sossegadinha, a ler ou a dormir... ainda se fosses aquele italiano na cauda direita, parecido com o Gian, ou esse senhor aí do banco ao lado, que me faz lembrar o Zé Paulo ... se eu falo inglês? Não.

A whisky, please? Malte, duplo, triplo, sem gelo.