quando o tempo parou.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Wallflower
De repente as pétalas do girassol caíram. E depois as sementes. E depois o caule vergou e pendeu sobre a terra. Um a um vão desistindo os girassóis.
Deambulo com o regador de lata na mão com água fresca e inútil.
sábado, 23 de janeiro de 2010
A queda do gato-anjo
Há dias, horas, momentos (nem sempre a duração faz sentido...) que cristalizo e deixo suspensos. Volto lá de quando em quando, procurando equilíbrio ou aventura, dependendo do estado de espírito. Mas tento não ficar lá muito tempo. São vislumbres do passado ou do futuro, que foram ou que podiam vir a ser, mas sem substância presente, insustentáveis no quotidiano.
Ontem caí de um dos meus mais belos cristais. Foi uma queda feia. Fiquei estatelada nas pedras da calçada e não me levantei durante algum tempo, atordoada. Depois, devagar, segui caminho. Com um sorriso satisfeito, lambi as manchas e alisei o pêlo, sacudi os bigodes brancos e ergui o rabo dourado e ponta branca para ver do vento. Olhei para o alto, a memória ainda brilhava... fica aí, eu volto. Palavra de anjo.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Rafael
Juro que quando me lembro dele lhe chamo Rafael! Esguio, como um junco, olhos claros como água. Líquido.
Hummm.
Hummm.
Não aguento outros
Gosto muito de estar sozinha. Às vezes esqueço-me porquê e depois lembro-me da pior maneira.
Burra que nem um testo.
Burra que nem um testo.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sangue frio
Não sou mulher de grandes opções.
Até porque descobri que é preciso ter sangue de barata e conviver, just by side, com situações que não são minhas, nem queria, nem pensava delas. Mas, já agora, vamos lá a ver.
Mas não deixes o sangue ficar quente e virar "ciranda". Essa seria morte certa. Tu não és gata, e já morreste vezes suficientes.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Força
Há impressões de mim que nunca tive, mas que vou percebendo. Nunca pensei que pudesse ter uma personalidade forte ou pudesse sequer assustar alguém com a minha força.
Dez anos de crescimento algum efeito devem ter tido.
Gosto de ser assim, sem sentido
É difícil ser de outra maneira. Mas ainda bem que não perdi a capacidade de acreditar em qualquer coisa, mesmo que inútil, mesmo que efémera, mesmo sei lá o quê.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Não...
Não saí de casa o dia inteiro... será possível que tenha ficado pior da constipação ao sair da sala quentinha para a cozinha???
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Flores de outono
Da minha sala, a dos dias de semana, vejo eucaliptos. Estão em flor. Flores brancas.
Nunca tinha reparado nos eucaliptos em flor.
Também não sei que estou aqui ainda a fazer a esta hora. Nem eu nem ela, a hora. Há muito tempo que as horas deixaram de querer saber de mim e correm à vontade delas.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Para ti
Às vezes é mesmo preciso um empurrão para escrever. Um bom empurrão. E uma ligação à net em condições também ajudava.
Mas antes... preciso de um canalizador, aquele que disse que vinha cá há uma semana atrás. Devem ser todos da mesma família. A cor dos canos do apartamento varia entre o branco e o azul claro. Não deve ser normal. Se fosse não tinha água no chão ao pé do lavatório.
Já perceberam por que não tenho escrito? Só coisas que me angustiam.
sábado, 31 de outubro de 2009
Dormir
Dizia-me a Rosa, prima e vizinha: apetece-me dormir, infinitamente.
Às vezes também me apetecem coisas semelhantes. Não me apetece pensar, infinitamente. Mói-me e dói-me o espírito de tão devairadas coisas que o habitam. Amanhã queria ser alface, depois batata, depois água, depois gata, depois eu, apenas um dia, e depois ser feijão-verde, depois sumo de laranja, depois galinha, depois eu, apenas um dia... por que não posso viver e pensar mais devagar?
Por que é que o absurdo faz cada vez mais sentido?
sábado, 24 de outubro de 2009
Inquietação
Eu só queria ter dois dias iguais... nem pedia mais do que isso. Pode ser que para a semana isso aconteça.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Mudanças
Acordei com a chuva durante a noite e já não consegui dormir mais até às seis da manhã. Resolvi ver do meu cartão de saúde e fotografias de passe e acabei a arrumar cartões de visitar e a rasgar talões do multibanco. Guardo-os todos religiosamente, podem ser precisos... mas depois deito tudo fora sem conferir um que seja.
Dormi até às sete e quase esmurrei o despertador na parede. Chuva, frio... e uma ida relâmpago a Coimbra. Para um dia de mudança, de assinatura de contrato, não me pareceu nada "auspicioso". Quando cheguei à universidade, quase duas horas depois, com os olhos a doer e depois de dois ou três acidentes a empatarem o trânsito todo, só me animava o facto de poder voltar passada uma hora. E assim foi. As meninas foram simpáticas e prestáveis, mas ainda não assimilo bem a minha nova etiqueta: investigadora doutorada.
Quando descia para a Sé Velha, encontrei a Irmã Fernanda, que já não via há quase dois anos! E naquele abraço tive a certeza de que tudo haveria de correr bem.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Hoje
Estou perplexa. Espero que esta sensação passe, que o sol volte pelo menos ainda hoje, e eu consiga sentir-me leve. mas duvido que tenha muito tempo para pensar nisso...
É oficial. Cumpri 40 anos de vida.
domingo, 30 de agosto de 2009
Desgovernos de S. Mateus
Matterhorn.
Matterhorn diz-vos, caríssimos amigos, alguma coisa? Então façam tudo por tudo para que vos não diga nunca mesmo nada... a não ser que gostem da sensação de absoluta desgoverno que nos toma conta do corpo e da mente, do fechar dos olhos compulsivamente e do empurrar das pernas e do agarrar da barra de ferro como se fosse a única coisa que nos separasse da diluição total.
Ainda tentei imaginar que fazia uma viagem no espaço e oferecer tanto sofrimento pelos doentinhos, mas acho que preferi ver Marte no céu, como esteve nas últimas noites, e duvido que a dor auto-infligida sem outros bons propósitos possa servir para redimir o que quer que seja.
De qualquer forma isto foi a prova de que a minha memória tem uma duração de 15 anos, que deve ter sido quando andei naquela coisa (chamava-se Ice) a última vez e agora, agora, já me lembro como afirmei que seria a última vez. O que me vale é que daqui a 15 anos já estou com demasiada idade para me deixarem sequer comprar bilhete.
Quando cheguei ao parque dos concertos nem conseguia levantar os braços para dançar o Lay all your love on me e estava profundamente enjoada. Devia era ter comido meia-dúzia de farturas e passeado com o Jaime e Anita no carrossel...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Às vezes
Às vezes pára-se-me a vontade de escrever, de pensar, de existir.
Queria ser planta, um hibisco enorme, com flores vermelhas e ter como único anseio o sol e a chuva.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Exterminadora I
Quando as andorinhas cresceram e começaram a voar fui à garagem e dei-lhes grande admoestação: que fossem à vida, que a temperatura andava nos 35 graus, que as noites estavam amenas e que eu queria limpar a garagem de uma vez por todas. Foi o grande o alarido. Alarido é a palavra certa... nunca pensei ter um bando de andorinhas a reclamar comigo. Já estão avisadas: no próximo ano imigrem mais cedo porque vão ter de procurar casa nova. Ao menos os gatos têm um caixote de areia...
Depois foram as vespas. Já viste aquele ninho que tens ali debaixo da telha, filha? Aquilo são vespas, papá? Eram. Nos meus jantarinhos nocturnos nunca incomodaram, mas de dia começaram a rondar ameaçadoramente à minha volta. Queriam beber do meu café, comer da minha torrada, cheirar-me os cabelos, tirar-me o pólen... e o ninho ia crescendo. Deixei de ser senhora do meu pátio e instalou-se a desconfiança. Fui cobarde, eu sei. Esperei pela coberta da noite... no fim de contas elas eram mais de vinte. Apanhei-as a sono solto, enquanto sonhavam com os meus amores-perfeitos, hibiscos, rosas e hortênsias e congeminavam forma de me arrastar para o interior dos favos.
Pelo menos este ano não tive um carreiro de formigas a atravessar a relva, nem lagartos a apreciar a bancada da cozinha. Só mesmo moscas.
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