domingo, 7 de junho de 2009

Fontana


Disseste baixinho que querias ver-me nua. E o rubor tingiu as águas e incendiou Neptuno.


Já perdi a conta às vezes que fotografei esta Virgem.
Mas esta fotografia é a mais bonita, a mais forte, a mais viva, a mais feliz. Porque é assim que eu me sinto. Como uma borboleta colorida no Campo de' fiori.

A fábula, muito breve, de doria pamphilj






Ali eu ficaria. Reclusa. Ali eu esperaria, semana a semana, que tu viesses. Ali, eu, principessa di tuo cuore, cuidaria das peónias e as aves comeriam da minha mão.

Aqua


Ainda não eram nove horas da manhã e eu já só queria ser pomba.

sábado, 6 de junho de 2009

Anima pacis



Começo a ficar cansada dos arquivos.

Restam-me inúmeras e imensas cúpulas e abóbadas. Nas mais conhecidas há curiosos que distraem. Mas nas outras estou só eu a maior do tempo. Só eu e a minha história. Para companhia basta.

terça-feira, 2 de junho de 2009



A Eberhard, conte di Württemberg, di ritorno da Gerusalemme nel 1480 fu chiesto se avrebbe consigliato di seguire da sua stessa strada per raggiungere la Terra Santa; rispose: "Vi sono tre cose che non posso né consigliare né sconsigliare: il matrimonio, la guerra e un viaggio al Santo Sepolcro... Possono cominciare bene e finire molto male".

John Ure 2006:27.

Pietas



Rendi-me.

Rendo-me com muita facilidade ao talento de Miguel Ângelo. Mesmo quando acho que já está tudo visto e revisto. Mas não está. A minha percepção da beleza é definitivamente diferente. O reconhecimento pode ser doloroso.


Para o Glau


Gosto dos pormenores. Apesar de frequentemente desatenta. Em Roma olho sempre para cima, para as cúpulas, arcos e abóbadas, para os frescos, arcos e espirais. Depois deixo cair o olhar nos marmoreados do chão.

Já não me espanto. Agora tudo me comove.



domingo, 17 de maio de 2009

Non posso credere

Ali, a 50 metros, estão os muros do Vaticano. Ouço os sinos da Basílica mesmo ao lado. Vai ser assim no próximo mês e meio.
D. Rodrigo, meu gentil marquês, a Piazza Colonna fica mais longe.

A Ciranda vai a Roma

E chegou no dia 15 pelas 18.30h.
Dei uma de estrela, pintei os lábios e assentei os óculos de sol, entrei no taxi para o Colégio sem hesitar no meu italiano em duas lições...

Está um calor dos demónios. Roma está igual às outras vezes, mas eu sinto-me viva, brilhante. Como eu gosto de viajar sozinha! Mas é muito bom conviver com historiadores da arte e da igreja, mesmo ao lado. Ainda por cima são divertidos!

Sombras: o meu Gonçalo está muito doente. Ainda não tem cinco anos, o meu amor lindo. Os olhos brilhantes também são das lágrimas que espreitam ao lembrar constante deste pesadelo.

Tenho de lidar com tudo isto, com o trabalho, a arte e a beleza, a saudade e a angústia.




quarta-feira, 29 de abril de 2009

Artes de diplomacia


1 de Junho de 1657

Carta de Francisco de Sousa Coutinho, embaixador em Roma, ao secretario Pedro Vieira da Silva. Pelos motivos que allega, reputa-o seu inimigo, e quer que como tal o considere tambem. Para tudo o que diz tem provas na sua mão, sufficientes para seu descredito. Pode ir afiando as armas para quando elle embaixador regressar a Portugal; se até aqui teem luctado com a penna, chegarão a arcar, e quem melhor oração souber melhor a diga.

Ora esta! Maus fígados...

domingo, 26 de abril de 2009

How green was my valley


Fiquei presa, sentada no sofá, aconchegada na manta. How green was my valley. Continua mágico, sobretudo nestes dias de sol. Sou eu que visto cinzento.

sábado, 25 de abril de 2009

Para vocês

Glaukie, Sinhá, Moriana, Alex, Emily... obrigada.

Ontem à noite tive um arremedo de discussão... enfim, para quem não fala horas seguidas, levantar a voz um bocadinho já parece discussão. Mas parece que não foi ou, como sempre, ficou tudo muito mal resolvido. Por mim, quero lá saber...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

À espera


Dei conta por acaso que era dia 24. Cresceu-me o cabelo, os brancos estão mais visíveis. A claridade mostra-me o pó no chão e nas cómodas. As flores secaram na jarra e a água ... bem, a água já deixou de ter cor e cheiro.
Mas descobri o filho da mãe do secretário do embaixador que escreveu aquele diário quase ilegível... e tenho um novo herói, inventado à medida da virtus barroca, D. Rodrigo.

E tenho vontade de escrever, muita. E talvez até de compor a fotografia do blogue...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Interregno

Quebro este interregno por causa da Nikita. Porque fez dois aninhos, porque fala como os papagaios e os periquitos todos juntos, porque dá abraços que sabem a pipocas e algodão doce, porque apagou as velas cinco vezes e de todas cantou os parabéns e bateu palmas enquanto saltava de alegria na cadeira.

Porque tu, Nikita, e mais alguns pimpolhos, fazem-me sempre ver a vida como promessa. Ainda.