domingo, 10 de fevereiro de 2008

Lucidez


Ainda penso que um dia conseguirei ver tudo com lucidez.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

www.cochilo.eu

Amor cão… é um amor tramado.
Precioso como um osso que se esconde num buraco recém-escavado: só nosso, sempre ali, à beira do focinho.
Montar guarda ao amor como ao osso: com tempo, com atenção, com certezas.


NOTA: as camas são um espanto, acreditem que eu vi. Mas o texto que acompanha o flyer é de uma ternura que me aquece o coração. Tal como o fazem os bichinhos que eu afago: a Cocas, a Yuri, a Lubi e a Lichia. Cada um na sua cochilo.

Até a loucura tem tempo e lugar

D. Sebastião Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(Pessoa, 20/02/1933)

Pasárgada



Vou-me embora pra Pasárgada.
Lá serei quem eu não sei.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Paula Moura Pinheiro é uma mulher linda e interessante e gosto muito do trabalho dela no Câmara clara, programa que passa na RTP2.
Mas, desta vez, teve em palco outra mulher cujo entusiasmo me deixou rendida: Isabel Almeida falou com paixão e com sabedoria da obra do Padre António Vieira.

Eu sou a princesa do reino da tia Ci



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Vieira

O Padre António Vieira, da Companhia de Jesus, nasceu a 6 de Fevereiro de 2008. Celebra-se o IV Centenário do seu nascimento, iniciando-se hoje, com variados eventos, o Ano Vieirino de 2008.
Gosto muito de ler os textos de Vieira, sobretudo alguns dos seus sermões. Mas não gosto de escrever sobre ele. Por isso, deixo ficar um excerto do Sermão de Quarta-Feira de Cinza, pregado em Roma, na Igreja de Santo António dos Portugueses, em 1672, glosando o versículo Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris.

"Ah serpentes astutas do mundo, vivas e tão vivas! Não vos fieis da vossa vida nem da vossa viveza; não sois o que cuidais, nem o que sois; sois o que fostes e o que haveis de ser. Por mais que vos vejais agora um dragão coroado e vestido de armas douradas, com a cauda levantada e retorcida, açoutando os ventos; o peito inchado, as asas estendidas, o colo encrespado e soberbo, boca aberta, dentes agudos, língua trissulca, olhos cintilantes, garras e unhas rompentes: por mais que se veja essa dragão já tremular nas bandeiras dos Lacedemónios, já passear nos jardins das Hespérides, já guardar os tesouros de Midas: ou seja dragão volante entre os meteoros, ou dragão de estrelas entre as constelações, ou dragão de divindade afectada entre as Jerarquias: se foi vara e há-de ser vara, é vara: se foi terra e há-de ser terra, é terra: se foi nada e há-de ser nada, é nada; porque tudo o que vive neste mundo, é o que foi e o que há-de ser. Só Deus é o que é".


Lazarim

Tive um carnaval muito sossegadinho, mas quem não teve e se atreveu a sair de carro (começo a ter medo dos excessos...) enviou-me uma memória bem simpática.


Créditos: Alex.

Like the leaves

Nas minhas deambulações à procura de Ulisses:

Generations of men are like the leaves.
In winter, winds blow them down to earth,
but then, when spring season comes again,
budding wood grows more. And so with men
one generation grows, another dies away.
(Iliad 6.181-5)

Pode ser movido a álcool... eu não me importo.

A Alstrom apresentou em La Rochelle o novo comboio AGV (Automotora de Grande Velocidade), que percorre mil quilómetros em três horas, com considerável redução no consumo de energia e nas emissões de dióxido de carbono, concebido com 98% de material reciclável ou reutilizável. Para além disso, deve ser um comboio lindo e confortável.

A empresa britânica Reaction Engines apresentou o projecto de um novo avião supersónico, pronto em 2032, capaz de ligar Londres à Austrália em quatro horas, impulsionado a hidrogénio líquido, transportando trezentas pessoas.

Ok... eu espero. Entretanto continuarei a meter de vinte a vinte euros de gasolina 95 no meu Polo, à espera que de uma vez por todas revolucionem o mísero motor do meu tão necessário transporte particular.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Linhas que nos ligam




sábado, 2 de fevereiro de 2008

Espelho meu

Estava a escrever uma acta (não tenho feito outra coisa...) e disse a mim mesma: só te levantas quando acabares tudo. Passados cinco minutos passarinhava pela casa, a ver se já estava quente, se o termómetro tinha subido alguma coisa. Quando me sentei não pude de deixar de sorrir: acho que são as minhas pernas que se levantam e me levam! Problemas de concentração e de vontade.

Mas a questão não foi essa. Passei pelo espelho e vi um mocho. Com óculos eu pareço um mocho. E tenho rugas no canto dos olhos. Eu sou o mocho do meu escritório.
Acho que me vou mascarar mesmo. Uma longa cabeleira, uma mascarilha preta, um baton intenso e brilhante, botas de cano alto. Mas acabarei as actas a tempo? Mais tudo o resto que me ocupa o vidro da secretária e me aflige a alma? Com o andar da carruagem vou-me mascarar pela Páscoa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Conheço tantas

Resolvi ver os telejornais, coisa que não consegui fazer a semana inteira, ou porque estava a trabalhar ou porque estava a dormir no sofá. Mais valia ter continuado na minha santa ignorância porque, a bem dizer, eu também não queria ter assinado projectos daquilo.
Típicos anos oitenta instalados na paisagem.

Conta-me, avó!

Eu tinha os olhos a fecharem-se, mas a pequenina queria conversa, e como eu já andava curiosa e queria apontar umas coisas, fiz perguntas.
Pelos vistos, a minha casa resultou de duas casas, com um pátio no meio (imagino um daqueles pátios cheio de tojo, com rosmaninho de vez em quando, como o da casa da avó da Cunha...). De um lado, vivia a tia Ana, irmã da avó Lu, com o marido, o tio Eduardo; do outro vivia a bisavó Rosa, com a catrafada de filhos que teve, muitos emigrados no Brasil (lembro-me de a avó referir o tio António, e a tia Maria, que ficou solteira, senhora muito doente, mas que era a enfermeira da aldeia, e dava injecções... e tudo).
A memória da avó não vai mais atrás, mas ela sabe muitas coisas. Pelo menos estas ficam apontadas. A avó pode ter dito mais, mas acho que eu adormeci agarradinha a ela, cheirando a banhinho fresco.

Pontos de vista

Hoje, no messenger:

- Que vais fazer de tarde?
- Brincar ao gato e ao rato.
- ???
- Depois explico-te.

Passo à explicação: se eu era o gato, o rato escapuliu-se sem eu dar conta: se eu era o rato, então o gato anda de barriga cheia e não quer nada comigo. De qualquer das formas, foi um flop e resolvi acalmar a adrenalina numa sesta com a minha avó.