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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Horizonte

Gosto deste poema, sobretudo da última estrofe. Mas leiam tudo.

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Até a loucura tem tempo e lugar

D. Sebastião Rei de Portugal

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(Pessoa, 20/02/1933)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

"A arte mente porque é social"

"Se vou traduzir esta emoção por frases que de perto a cinjam, quanto mais de perto a cinjo, mais a dou como propriamente minha, menos, portanto, a comunico a outros. E, se não há comunicá-la a outros, é mais justo e mais fácil senti-la sem escrever."

Ou fotografá-la... se bem que nem seja arte e muito menos seja mentira.

Créditos: Ciranda.


quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dias de poesia

Gostas?

Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já.

É ouvi-lo melhor
Do que dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.

És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.

Fernando Pessoa, 1931

É giro!
Giro? Giro? Que raio é giro? Lê lá bem. Não está mesmo a dizer para me dares um beijo agora e para pensares depois?
Não me parece. Se me apetecesse beijar-te, beijava. Queria lá saber do poema.
Eu também não. Vem cá.