sábado, 4 de julho de 2009

Maiorca


Achei estranho o nome da coreografia do Paulo Ribeiro. Chopin lembra-me Varsóvia, frio intenso e chuva. Maiorca lembra-me a cor ocre do calor e o azul do Mediterrâneo. Depois achei que talvez fizesse sentido. Nas notas de piano que saíam dos dedos do Pedro Burmester, solitárias e melancólicas a maior parte dos prelúdios, misturava-se a exuberância dos gestos no palco.

Reconheci num e noutro lance os gestos da minha alma quando segue as notas do piano. Surpreendi-me com a beleza de um e outro passo. Nos momentos desiguais da dança compensava a execução brilhante.

Gostei, muito.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Just another day



Acordei tarde, com dor de cabeça, depois de sonhos estranhos, aqueles sonhos que só acontecem quando nos devíamos já ter levantado há pelo menos duas horas. De qualquer forma, são sempre muito interessantes pelo que guardam da memória e apresentam de intuição.

Lavei a louça do jantar de ontem, de que pouco me lembro. Resolvi matar saudades de uma Abadia fresquinha, deliciosa, e adormeci no sofá. Entretanto, à minha maneira super-bem-educada, devo ter resmungado sobre o tarde das horas e mandado embora quem lá estava...

Não me apeteceu pequeno-almoço. Mordi umas ameixas do quintal, verti um copo de leite na banca, verti o detergente da roupa no chão, fui almoçar na casa da minha mãe, e... verti o café na mesa e no chão quando saí para tomá-lo. Ainda estou a tentar ficar sossegada a ver se passa esta má onda ou se as minhas mãos ficam firmes ou a minha alma menos inquieta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Regresso

A casa. Senti falta deste écran de computador, enorme... dos beijos dos meus pequeninos; de um bom abraço, demorado. De pouco mais. Roubei um litro de leite à minha mãe e alguma fruta. Vou ter de cozinhar???

Vou demorar tempo a pôr tudo em ordem. Eu e a minha ordem. Consegui escapar-lhe dois meses. Agora está aqui, à minha espera, e ainda bem. Mas eu tenho memórias de dias felizes, que se hão-de prolongar no tempo. Existem aqui, in imo corde et anima.

domingo, 21 de junho de 2009

Ressalva

Quando disse, aí num post abaixo, que em Roma queria ser peixe, entenda-se "nunca no Tibre"... ontem acho que vi uma ratazana a nadar por lá, no fresquinho da noite.

sábado, 20 de junho de 2009

Lost

Perdemos e ganhamos. Se pesarmos bem talvez consigamos não sofrer com a perda. Há sempre rumos novos para a água.



sexta-feira, 19 de junho de 2009

Anjos



Gosto de asas.

Água



A todas as horas. Em todo o pensamento. Em todo o meu corpo.
Definitivamente, em Roma, no verão, eu queria ser peixe.

domingo, 14 de junho de 2009

Postal


Deixa-me lá ver:
São Pedro
Conciliazione
Borgo Santo Spirito
Santa Maria Traspontina
Santo Spirito in Sassia
Ponte dos Anjos
Tibre...

Mr. and Mrs. Smith



Entro na Gregoriana ao som de um tango e ensaio uns passos no átrio. Foi feito para dançar... será que eles sabem?




Piazza Navona

Principessa.

Foi tudo o que me chamaste neste verão romano, com sabor a gim tónico, feito de sorrisos demorados e alegrias coloridas caindo das varandas.

Agora todos me chamam assim, com ternura, principessa.







Lucio Dalla


Pedi-te música para o mp3, misturando todo o meu italiano de maior charme com um português insinuante. Fizeste um sorriso e eu devia ter desconfiado. Passei o dia a ouvir uma coisa chamada Lune, de Lucio Dalla, te voglio bene, sai, te voglio bene, e mais não sei o quê, chorando e gemendo desesperadamente. Mas, bem no fundo, um som tão mediterrânico…
Nem consegui ficar nostálgica. Passei todo o dia com uma vontade louca de me rir.

E de beijar.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Já agora...

Abençoada BN. Abençoada.
Abençoada UCBG. Abençoada.
Abençoada BMV. Abençoada.
Abençoadas, todas elas, e todas as outras.

Esta gentinha por aqui pára de trabalhar antes das duas da tarde. Depois? Ainda não percebi bem. Mas deve ser qualquer coisa como um dolce far niente, uma dolce vita, ou o raio que os parta a todos.

Metamorfose


Queixo-me do mar agitado. Depois aborreço-me nas águas mansas.

Por isso, já não me apetece só molhar as mãos e matar a sede em cada fonte de Roma. Agora o que eu queria mesmo era mergulhar e ficar quieta lá bem no fundo. Seixo branco.

Caminhos portugueses em Roma (título oficial)


Villa Lusa, 12.30h.

Entrada e recepção da Ciranda na Embaixada Portuguesa presso la Santa Sede.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Templo de Adriano




Puxaste-me por um braço para a penumbra das colunas e senti o algodão fresco da túnica nos meus braços. Fazias-me sentir rainha.

De repente, vi que vestias uma camisa branca, tinhas um cachimbo na boca e um veleiro nas mãos. Prometeste dar notícias do teu mar e do nevoeiro das ilhas. Também eu, murmurei, te contarei das minhas serras e dos seixos do rio.

Só há um tempo, Adriano. Este tempo em que me fazes sentir feiticeira.