Era alto, moreno, sorriso fácil e simpático. Estávamos nos últimos anos do liceu e tive por ele uma violentíssima paixão. Fiz versos, sonetos. Fiz-me encontrada e desencontrada. Achei que ele me amava, porque repetira muitas vezes, quando me passou a letra, o coro final do I still loving you, dos Scorpions. Tremi quando dançámos um slow numa festa de turma, na centésima aula de Português. Chorei quando, numa carta, me disse que não tinha por mim os sentimentos que eu esperava. Foi delicado. Mas chorei, tanto...
Está gordo e careca. O tempo é o meu melhor aliado nestas vinganças de mercearia...