Conheço bem o poder das palavras. Já o experimentei talvez vezes demais e sei como pode levar-nos longe. Na verdade, não acredito nelas... mas sinto-lhes a falta. Se uma realidade não é descrita, se um sentimento não é nomeado, existem mesmo assim?
Por muito que eu queira ser lúcida, preciso da ficção construída pelo discurso, mesmo que seja uma teia em que me venha a enredar sozinha. A verdade é que sei muito bem quando hei-de ficar calada e quando vale a pena ser expansiva. Não sei é pôr palavras na boca de ninguém sem passar para o domínio do fingimento. E sinto-me profundamente desiludida por causa disso.
